Quais ecografias preciso fazer no Pré-Natal?

Hello! Com tudo isso que estamos passando nesse momento, muitas mamães estão com medo de não conseguirem fazer o pré-natal adequadamente. Mas enfim, quais ecografias são realmente necessárias para um pré-natal adequado?

Atualmente, existe a falsa ideia que quanto mais exames de imagem fazemos, mais completo está o pré-natal.

E isso não é verdade. A ecografia é chamada exame complementar por um motivo: para complementar (!) a consulta e avaliação de seu obstetra. Portanto, o ultrassom não substitui uma boa consulta de pré-natal. Segundo a Federação Brasileira de Obstetrícia e Ginecologia (FEBRASGO) são ultrassonografias necessárias para um pré-natal adequado:

1. Ultrassonografia transvaginal de primeiro trimestre.

É fundamental para avaliação mais precisa da idade gestacional. Muitas mulheres não se lembram da data da última menstruação ou têm ciclos irregulares e isso nos impossibilita de saber a idade gestacional adequada (leia mais sobre isso aqui). Esse exame também serve para determinar se a gestação está se desenvolvendo no local correto – dentro do útero, para sabermos o número de embriões e a viabilidade da gestação. A melhor fase para fazer esse exame é entre 7 e 11 semanas e 6 dias e deve ser realizada por via transvaginal.

2. Ultrassonografia morfológica de 1º trimestre.

Deve ser realizada entre 11 semanas e 3 dias e 13 semanas e 6 dias de gestação.  Além da avaliação da formação inicial dos órgãos do bebê o objetivo principal é a avaliação da chance de o feto ter aneuploidias. Aneuploidias são alterações no número de cromossomos do bebê (presente na Síndrome de Down, por exemplo). Para isso, o médico especialista em Medicina Fetal avalia algumas características fetais associadas com alguns dados da mãe.

3. Ultrassonografia morfológica de 2º trimestre com avaliação do colo uterino por via vaginal.

O exame deve se realizado preferencialmente entre 20 e 24 semanas (preferencialmente com 22 semanas), por um médico habilitado. Nessa avaliação, são estudados implantação da placenta e cordão umbilical, líquido amniótico e formação dos órgãos fetais. A taxa de detecção de alterações estruturais está acima de 80%. O objetivo de avaliar a medida do colo uterino é estimar o risco de parto prematuro e assim determinar, quando necessárias, algumas medidas preventivas.

4. Ultrassonografia obstétrica com Dopplerfluxometria.

Exame feito geralmente entre 34 e 36 semanas e tem como objetivo avaliar o crescimento fetal, a caraterística do líquido amniótico e da placenta de acordo com o tempo de gestação. Assim podemos saber se o bebê está crescendo dentro do esperado. A Dopplerfluxometria é um exame utilizado para estudo da função placentária e sua relação com a oxigenação fetal. Sua indicação é prioritariamente para gestantes com doenças que possam levar à insuficiência placentária (gestações de alto risco). A detecção de alterações nos fluxos comprovadamente reduzem a mortalidade perinatal.

5. Ecocardiografia fetal.

É um exame específico para ver o coração do bebê (formação e função). Pode ser realizado a partir de 18 semanas de gestação, sendo o período ideal entre o fim do segundo e início do terceiro trimestre: 24 – 28 semanas. Apesar de a Sociedade Brasileira de Cardiologia Pediátrica indicar para todas as gestantes, esse exame não consta em alguns protocolos como obrigatório para todas as gestantes, mas apenas para casos específicos.

Exames indicados para o acompanhamento do pré-natal de risco habitual (Manual de Assistência Pré-Natal, FEBRASGO, 2014).

Infelizmente, as morfológicas não são pedidas rotineiramente por alguns serviços do Sistema Único de Saúde. Mas realmente, pra quem pode, é um super investimento.

Então, pra resumir, nas gestações de risco habitual, com 4 ou 5 exames associados às consultas adequadas, é possível ter um pré-natal completo. Nos casos de gravidez de alto risco, mais exames são indicados individualmente.

Fonte: (1) Manual de Assistência Pré-Natal, FEBRASGO, 2014; (2) Pedra SRFF, Zielinsky P, Binotto CN, Martins CN, Fonseca ESVB, Guimarães ICB et al. Diretriz Brasileira de Cardiologia Fetal – 2019. Arq Bras Cardiol. 2019; 112(5):600-648. (3) Coleção Febrasgo, Medicina Fetal.