Preciso coletar o Preventivo?

Preciso coletar o preventivo? É essa pergunta que vamos descomplicar hoje. Muitas mulheres me perguntam se precisam mesmo coletar o preventivo. Se não dá só pra fazer ecografia transvaginal, que “já vê tudo”.

Primeiramente, a ecografia transvaginal não tem a mesma função do preventivo. Então não, um não substitui o outro. E por isso, sim, precisa mesmo coletar o preventivo. Vou explicar o motivo.

O câncer do colo do útero começa como uma lesão que é curável em até 100% dos casos.

Essas lesões são pré-invasoras, chamadas de NIC (neoplasia intraepitelial cervical). São feridas que vão evoluindo lentamente, por anos. E evoluem até virar o câncer, quando as lesões se tornam invasivas e podem atingir outros órgãos.

No Brasil, a realização do preventivo é recomendada para mulheres entre 25 e 64 anos e que já iniciaram atividade sexual.

Como falei, hoje sabemos que a evolução do câncer de colo do útero é bem lenta. Antes dos 25 anos, são mais frequentes as infecções pelo HPV e as lesões que chamamos “de baixo grau”. Essas lesões regridem (saram sozinhas) em sua maioria. Por isso, diversas pesquisas mostram que fazer o rastreio do câncer de colo em mulheres com menos de 25 anos não reduz a incidência e mortalidade por essa doença.

Pelo mesmo motivo, se a mulher fez seus preventivos certinho, com resultados todos normais, o risco de desenvolver esse câncer após os 65 anos também é baixo. Por isso não é mais indicada a coleta.

Cabe ao profissional de saúde avaliar os fatores de risco e a história de cada mulher para indicar e oferecer a realização do preventivo fora dessa faixa de idade que falei ali em cima.

Após realizar 2 exames num intervalo de um ano, se o resultado dos dois for negativo, a rotina é repetir o preventivo de 3 em 3 anos. É o que a OMS recomenda. Descomplicou?

*OMS: Organização Mundial da Saúde.

FONTE: (1) European Commission Europe Against Cancer Programme. Evaluation and monitoring of screening programmes. Brussels- Luxembourg, 2000. (2)WHO. Cytological screening in the control of cervical cancer: technical guidelines. Geneva, 1988. (3) MINISTÉRIO DA SAÚDE INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER – INCA. Viva Mulher – Programa de Controle do Câncer do Colo do Útero.