O que eu não devo comer na gestação?

Durante a gestação, todo o alimento que ingerimos é utilizado na construção do nosso bebê. Então, nada mais lógico que nossa dieta seja adaptada, não é mesmo?

Certos alimentos devem ser limitados ou até mesmo evitados durante a gravidez por apresentarem algum componente tóxico. Entre eles estão os peixes, cafeína, carnes cruas, frutas e vegetais não lavados e produtos não pasteurizados. Vamos descomplicar:

Peixes: certos peixes são ricos em mercúrio, e o excesso deste elemento pode causar danos ao feto. Evite alimentos à base de tubarão, peixe-espada e cavala. Restrinja a ingesta de crustáceos, salmão, linguado e bacalhau a 1 porção por semana (máximo de 340g).  Peixes de água doce devem ser limitados a 170g/semana e atum a 120g/semana.

Cafeína: a cafeína é um estimulante do sistema nervoso central que está presente em diversos componentes como cafés, chás, cacau, refrigerantes à base de cola, guaraná, e alguns medicamentos. O excesso desta substância esta relacionada à prematuridade, bebês de baixo peso e, em alguns casos mais graves, abortamento espontâneo e malformações. Seu consumo não deve ser superior a 200mg/dia. Só para se ter uma idéia, 50ml de café coado apresenta, em média, 30mg de cafeína, enquanto no café expresso 100mg.

Carnes Cruas: as carnes cruas ou mal-passadas (inclusive peixes) podem estar contaminadas por protozoários e bactérias, transmitindo diversos tipos de doenças. O processo de congelamento da carne pode matar muitos organismos, porém, é difícil saber com segurança se todas as normas higiênicas foram seguidas pelos açougues, frigoríficos, peixarias e restaurantes. Para não correr o risco coma sempre carne bem passada.

Frutas e Vegetais não lavados: risco de contaminação por toxoplasmose e outras verminoses. Em breve teremos um post dedicado à toxoplasmose.

Produtos não pasteurizados: a pasteurização nada mais é do que pegar um alimento, esquentá-lo a uma certa temperatura e depois resfriá-lo rapidamente. Este processo serve para matar germes e bactérias presentes no alimento. É muito importante usar somente leite e seus derivados devidamente pasteurizados e nunca ingerir ovo cru na gestação pelo risco de contato com a Salmonella (infecção por bactéria que causa diarreia e vômitos de grave intensidade), por isso, cuidado com maionese caseira feita à base de ovo cru.

Sal: o excesso de sal aumenta o inchaço da gestante e pode cursar com elevação da pressão arterial. Cuide com alimentos muito condimentados, defumados, congelados e enlatados (estes últimos podem usar uma grande quantidade de sal para ajudar na conservação do alimento).

Adoçantes: Sempre que possível evite o uso de adoçantes. Se o uso for inevitável opte por sucralose, stevia ou, em último caso, aspartame. Evite produtos com sacarina e ciclamato.

Refrigerantes: que refrigerante não faz bem a ninguém, isso já sabemos. Imagine então o impacto num bebezinho em formação. Evite ao máximo o uso durante a gravidez. Caso esteja numa festa sem outras opções de bebidas (ou esteja com MUITA vontade) opte por versões normais, evitando o consumo de diet, light e zero.

Álcool: Não existe dose segura para a ingesta de álcool na gestação. O uso excessivo de álcool pode  acarretar em restrição de crescimento, retardo mental, anomalias na face, além de alterações comportamentais no feto. Ou seja: Se for gestante, não beba!

 

Fontes: (1) Zugaib, Obstetricia, 2012, 2. edição; (2) Myers GJ, Davidson PW, Cox C et al. Prenatal methylmercury esposure from ocean fish consuption in the Seychelles Child Development Study. Lancet 2003; 361(9370): 1686-92; (3) Pacheco AHRN et al. Consumo de cafeina, baixo peso ao nascer e prematuridade. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 23(12):2807-2819, dez 2007; (4) Torloni MR, Nakamura MU, Megale A, Sanchez VHS, Mano C, Fusaro AS, Mattar R. O uso de adoçantes na gravidez: uma análise dos produtos disponíveis no Brasil. Rev Bras Ginecol Obstet. 2007; 29(5):267-75