Nem tudo que coça é candidíase…

Olá, meninas!!!!

Hoje vamos falar do prurido (coceira) vulvar.  Um assunto muito importante,  uma queixa comum na prática clínica diária e, muitas vezes, negligenciado na elaboração dos diagnósticos (“coçou é cândida”).

O prurido é uma sensação desagradável que dá muita vontade de coçar e pode levar a um ciclo vicioso denominado “ciclo coçar-esfregar”.  A coceira é desencadeada por estimulação de terminações nervosas livres. As mesmas fibras que conduzem o prurido ao hipotálamo (que fica no cérebro), também conduzem certos tipos de dor. Não se sabe ao certo, porque a estimulação dessas fibras nervosas finas, muitas vezes, resulta na percepção de dor e, outras vezes, em prurido.

A candidíase, que acomete pele e mucosa  é uma das principais causas de coceira vulvar e arredores do intróito (entrada) da vagina. Inclusive, aqui no blog  ” Mulher Descomplicada” já escrevemos sobre isso (dá uma olhadinha aqui se você tiver alguma dúvida deste assunto). Como a candidíase é bastante comum de aparecer e também é bem conhecida entre as pessoas, é normal que se pense nela toda vez que se tenha um prurido vulvar. No entanto, existem várias outras causas que precisam ser lembradas.

São elas:

  • Fatores infecciosos: tinea (um fungo diferente da candidíase), tricomoníase, pediculose, molusco contagioso, infecção herpética …
  • Dermatite irritante de contato: é uma reação inflamatória em resposta a alguma substância exógena/externa, que qualquer pessoa pode desenvolver. Algumas causas são: higiene excessiva (mais de dois banhos por dia, por exemplo), suor, urina, fezes, protetores diários, cremes depilatórios…
  • Dermatite alérgica de contato: este é um caso mais restrito, pois requer uma resposta imunológica do nosso corpo. Isto é, a pessoa precisa desenvolver alergia à substância. Exemplo: medicamentos (neomicina, espremidas, bacitracina, …), fragrâncias (papel higiênico ou absovente com perfume por exemplo), propilenoglicol, parabenos …
  • Hormonais: o hipoestrogenismo (diminuição do hormônio estrogênio) acarreta a atrofia vulvar (pele da vulva muito “seca” e fina), a qual pode ser causa de prurido vulvar ou facilitar a ação de agentes irritativos (isso acontece muito no climatério);
  • Metabólicos: como diabetes, anemias, doenças hepáticas (fígado);
  • Outras doenças como a Neoplasia intraepitelial vulvar (NIV), doença de Paget Vulvar, Líquen plano, escleroso e simples, Psoríase, Vitiligo…

Aí listei alguns exemplos das doenças que causam prurido vulvar. Elas têm tratamentos individuais e que serão prescritos após você ter sido examinada.

É importante dar importância ao prurido, pois muitas vezes ele pode ser crônico (que duram períodos longos e que não curam). Mas, que precisam ser adequadamente tratados para não piorarem rápido e/ou não evoluírem para uma doença mais grave ou que venham dificultar sua atividade sexual.

De imediato, o que você pode fazer: preferir calcinhas de algodão e brancas/claras, não usar roupas muito apertadas todos os dias, evitar protetores diários, dormir sem calcinha, evitar higiene excessiva,

Então, se tiver com coceira na periquita, não vá tomando aquele remedinho que usou “naquela vez que estava com candidíase”! Fique atenta e procure seu médico se não estiver melhorando!!!

Fonte: (1) Atlas de Dermatologia Gemital, Revinter, 2011; (2) Patologia do Trato genital Inferior e Colposcopia, Atheneu, 2010