Gravidez não planejada em tempos de COVID-19.

Gravidez não planejada em tempos de COVID-19. Tema importantíssimo!

Não é novidade que mais da metade das gestações do Brasil, corresponde a gestações não planejadas. Essa informação é triste e preocupante, já que o planejamento familiar comprovadamente reduz a morte materna e melhora como um todo os desfechos perinatais.

Mas o mais assustador de tudo isso, é que desses casos de gestações não planejadas, muitas vezes o casal estava utilizando algum método anticoncepcional. O grande problema é a falta de conhecimento, orientação adequada, cuidados e continuidade no uso do contraceptivo escolhido.

E qual o problema de engravidar na pandemia de COVID-19?

Primeiramente, até o momento nos parece que as manifestações da infecção pelo Coronavírus em mulheres grávidas e não grávidas é semelhante. No entanto, gestantes e puérperas foram incluídas no grupo de risco. Isso porque ainda não temos certeza sobre os todos os efeitos da doença na gravidez. Ainda não comprovamos se o vírus pode ou não contaminar o feto dentro do útero, e já existem estudos que demonstraram complicações como prematuridade, descolamento de placenta, sofrimento e restrição de crescimento fetal. Assim, como tudo na gestação, se não temos certeza que não faz mal, é prudente evitar. E é por tudo isso que a recomendação é não engravidar por enquanto.

O Planejamento Familiar deve ser considerado como um serviço essencial SIM.

E você me pergunta: “mas como vou poder iniciar um método se não estão agendando consultas de rotina?”. E quem responde não sou eu, mas a Federação Brasileira de Ginecologia e a OMS.

A primeira coisa é se informar. Fontes seguras da internet podem sim ajudar. Eu disse seguras, ok? Tipo a gente aqui.

Provavelmente, você irá descobrir que atualmente os métodos anticoncepcionais mais eficazes são os LARC. Eles devem ser oferecidos e têm papel fundamental na diminuição das gestações não planejadas e são primeira escolha, inclusive, para as adolescentes. Porém a utilização dos métodos de longa duração dependem de consulta médica presencial e numa pandemia, tudo isso deve ser considerado.

Como evitar a gravidez então?

  1. Telemedicina: se não conseguiu consulta presencial, a telemedicina pode ajudar. Caso isso também não seja possível, considere iniciar o uso de anticoncepcionais sem restrição médica (pílulas só de progesterona, CAMISINHA!, diafragma…). Porém, o ideal é consultar assim que possível.
  2. Mantenha seu contraceptivo: mesmo que você pense em trocar de método, talvez agora não seja o momento. Tire suas dúvidas, procure tomar regularmente. E que tal associar com a CAMISINHA? Fique atenta ao surgimento e cólica intensa e sangramentos, dor, inchaço ou vermelhidão na panturrilha de um lado só. Nesses casos você deve sair de casa (de máscara) e ir à consulta.
  3. Pílula do dia seguinte: é um método de emergência e que com uso repetido diminui sua eficácia. Deve ser usado preferencialmente em até 72h da relação desprotegida. A relação “desprotegida” pode ser evitada se você usar, adivinha o que? CAMISINHA.
  4. Precisa trocar o método de longa duração pois está para vencer? Se não conseguir atendimento agora, fique tranquila e não vá tentar tirar sozinha. Não há grandes riscos para sua saúde em manter o método vencido (DIU, SIU-LNG, Implante). Além disso, estudos demonstram que a eficácia não acaba de um dia para o outro. Nessa situação de exceção que vivemos, pode manter seu LARC por mais tempo que o prazo de vencimento, até 1-2 anos. Por segurança, utilize concomitantemente ela mesmo: a CAMISINHA.

Reforçando, a camisinha além de ser um método mais fácil de encontrar e de não trazer riscos para a sua saúde, é o único método que te protege de contrair infecções transmitidas pelo sexo. E não queremos nenhum motivo a mais para precisar ir ao médico de emergência não é mesmo?

Se você é profissional de saúde, não deixe de cuidar do planejamento familiar de sua paciente, principalmente agora. Não é correto orientar “evite a gestação” sem dizer como fazer.

Fonte: (1) Contracepção durante a pandemia de COVID, Comissão Nacional de Anticoncepção da Febrasgo, FEBRASGO, 2020. (2) Ana Luiza Lunardi Rocha, Contracepção em tempos de COVID, SOGIMIG 2020. (3) Tabela produzida para aulas: Carolina Sales Vieira; (4) https://www.who.int/emergencies/diseases/novel-coronavirus-2019/question-and-answers-hub/q-a-detail/contraception-family-planning-and-covid-19