Descomplicando a Rubéola e Gestação

A rubéola é uma infecção viral transmitida pelas secreções respiratórias, ou seja, gotículas de saliva e secreção nasal. É uma doença que vem tendo um declínio importante em todo mundo, devido à vacinação em massa. Em geral, não causa complicações importantes fora do período gestacional, porém, pode causar problemas devastadores a um bebêzinho em formação.

Ela se caracteriza por uma vermelhidão que geralmente começa no rosto e desce para o peito e braços. Junto podemos ter sintomas de resfriado (dor no corpo, febre, nariz escorrendo…). Mas nem toda rubéola se manifesta assim, cerca de 20-50% dos pacientes contaminados não sentem absolutamente nada. Existem alguns exames de sangue em que podemos descobrir se a gestante tem, ou já teve, ou se já se vacinou contra a rubéola.

Mas e agora? Comecei a me sentir mal e meu médico disse que estou com rubéola. O que eu faço?

Primeiro: tenha calma. Para acometer o bebê o vírus precisa passar pelo filtro da placenta, e isso nem sempre ocorre. Passando pelo filtro da placenta o vírus tem que contaminar o bebê, o que também nem sempre ocorre, então existe uma possibilidade de termos um bebê super saudável dentro da sua barriga.

A partir do momento do contágio, tudo o que podemos fazer no pré-natal é monitorar o desenvolvimento do bebê através da ultrassonografia. Existem algumas formas de investigações de infecção fetal, através de métodos invasivos como a amniocentese, cordocentese ou biopsia de vilosidades coriônicas. Por se tratarem de métodos invasivos a possibilidade de ocorrência de complicações na realização sempre existe, neste caso cabe ao obstetra, ecografista e principalmente aos familiares optarem por esta decisão.

As principais alterações no bebê são: anormalidades cardíacas, catarata e surdez. Podem acontecer também algumas alterações cerebrais como a MICROCEFALIA, hidrocefalia (água no cérebro), aumento do fígado e do baço, entre outras. Casos mais graves podem evoluir para óbito fetal. As pacientes que adquirem rubéola no primeiro trimestre de gestação podem evoluir para abortamento espontâneo.

O melhor meio de prevenção quanto a esta infecção é a vacinação. Pode ser realizada em qualquer unidade de saúde ou centro de vacinação e deve ser realizada antes da gestação. A vacina da rubéola confere imunidade de 95% (muito alta) com dose única. Poucos efeitos colaterais foram descritos, os mais comuns são dores nas articulações que melhoram sozinhas. Por ser uma vacina produzida com vírus atenuado existe um risco MUITO baixo de contaminação após vacinação, por isso não deve-se vacinar gestantes e opta-se por aguardar 1 mês entre a vacinação e a gestação planejada. Em caso de gravidez acidental após vacinação fique tranquila, o risco é MUITO MUITO MUITO baixo de contaminação fetal.

Vale lembrar que o aborto legal não é permitido em casos de infecção congênita, seja por rubéola ou outras doenças infecciosas (entre elas o Zika).

E você? Já se vacinou?