Descomplicando o Útero septado/bicorno.

Você já ouviu falar em alguns casos em que há malformação do útero? Ou palavras como útero septado ou bicorno? Muitas vezes essas alterações aparecem nas ecografias transvaginais solicitadas de rotina, mas na maioria das vezes são mulheres que estão tentando engravidar e não estão conseguindo.

As malformações uterinas podem atingir cerca de 0,17% (raro né?) das mulheres férteis e 3,5% das inférteis. O útero bicorno é a primeira alteração uterina mais comum, cerca de 39% dos casos. Jáo útero septado é segunda alteração mais comum (e mais fácil de ser corrigida), cerca de 34% dos casos.

Então, vamos falar um pouco sobre como acontece isso…

Como acontece?

Quando o útero está se formando durante o período fetal (dentro da barriga da mãe) inicialmente há a presença de uma divisão, o septo intermülleriano. Toda mulher um dia, lá dentro da barriga de sua mãe, já teve essa divisão no útero.
O que acontece é que esse septo normalmente tem que ser absorvido e desaparecer, mas nas malformações uterinas (as chamadas “malformações mullerianas”) ocorre um problema no desaparecimento desse septo e o útero permanece com uma divisão, ou seja, uma pequena separação que pode ser total ou parcial.

É mais fácil entender pelo desenho abaixo:

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Muitas vezes na ecografia há uma dificuldade em diferenciar o útero septado do útero bicorno, mas calma: a ecografia transvaginal em 3 dimensões (3D), ressonância nuclear magnética e a histerossalpingografia ajudam a complementar o diagnóstico.

O diagnóstico de certeza das alterações é associar a histeroscopia (aquela endoscopia do útero) junto com a videolaparoscopia (que é a cirurgia abdominal realizada por video). Estudos evidenciaram sucesso na gestação após a cirurgia em muitos casos.

Também existem outras malformações uterinas, como o útero unicorno (quando se forma adequadamente apenas um lado do útero) ou o útero didelfo (quando o útero fica dividido por completo, pode até haver 2 colos do útero). Essas, são alterações mais raras.

Nenhuma dessas alterações leva a incompatibilidade total à gestação e tudo vai depender de cada caso. Porém os estudos mostram frequência aumentada de infertilidade, abortamentos e parto prematuro nesses casos.

Por isso se você recebeu esse diagnóstico não se desespere! Converse com seu ginecologista!

Fonte:

  1. http://files.bvs.br/upload/S/0100-7254/2010/v38n4/a007.pdf;
  2. Imagem ilustrativa: Centralx – Atlas do Corpo Humano.