Descomplicando as gestações gemelares – parte 1.

Hello multimamis! No post anterior sobre gestações gemelares falamos sobre a importância de sabermos logo no início qual a CORIONICIDADE – número de placentas, da gestação gemelar logo no seu início, pois isso definiria o tipo de acompanhamento, o risco de complicações, enfim, todo  o desenrolar do seu pré-natal (vou até mais longe: todo o seu futuro como mãe de gêmeos)…

A incidência de gêmeos manteve-se relativamente constante em diferentes países, em torno de 3,5 por 1.000 nascimentos, mas a incidência de gêmeos dizigóticos e de gestações múltiplas varia com idade, paridade (número de gestações e partos anteriores) e, principalmente, com o uso de técnicas de reprodução assistida.

As gestações gemelares MONOCORIÔNICAS são aquelas nas quais logo no início se observa apenas UM SACO GESTACIONAL. Elas podem se subdividir em diamnióticas (as mais comuns), monoamnióticas (1 em 10.000 gestações e menos de 2% das monocoriônicas) e imperfeitas (raríssimas). É bem conhecido que as mamães grávidas de mais de um bebê apresentam maiores riscos de complicações quando comparadas àquelas grávidas de apenas um, portanto merecem uma atenção especial. As consultas devem ter seus intervalos respeitados e os exames de ultrassom não devem ser “pulados”.  Como existe um maior risco de trabalho de parto prematuro, sinais e sintomas devem ser prontamente avaliados por profissional habilitado e nunca devem ser subestimados.

As ultrassonografias recomendadas inicialmente são: obstétrica de primeiro trimestre (justamente aquela na qual vocês irão descobrir a gemelaridade e definir a CORIONICIDADE da gestação), a morfológica de primeiro trimestre, para avaliação dos marcadores genéticos de primeiro trimestre (translucência nucal, osso nasal, ducto venoso, fluxo tricúspide e artérias uterinas) – ressaltando-se que nas gestações gemelares MONOCORIÔNICAS como os fetos são geneticamente idênticos a discrepância nas medidas da TN é um fator que pode indicar um maior risco de desenvolvimento de uma complicação específica desse tipo de gestação, a síndrome da transfusão feto-fetal (transfusor-transfundido – STT), após essa ultrassonografia, orienta-se avaliação no mínimo a cada duas semanas, individualizando-se a recomendação caso a caso. É importante o acompanhamento e rastreamento dessa complicação por especialista capacitado e habituado a avaliar gestações MONOCORIÔNICAS.  A avaliação clínica, com orientação sistemática sobre sintomas que possam sugerir alterações abruptas do volume de líquido amniótico no interior das bolsas é de fundamental importância, sendo o trabalho em equipe, ou seja: a interação entre a família, o especialista em medicina fetal e o obstetra, primordial para o melhor desfecho.