Descomplicando a TN: parte 2

É muito importante saber quais são os principais exames ultrassonográficos a serem realizados ao longo da gestação (assunto que em breve será abordado em um novo post), e, sem dúvida alguma o exame para medida da Translucência Nucal, TN, “transnucal” ou “nuquinha” é um deles!

O que cada casal não pode deixar de se informar é o porquê de realizar esse exame, ou seja, qual a sua real finalidade. Qual o melhor momento, qual o profissional melhor indicado para a sua realização e o que esperar desse tão temido exame…

A translucência nucal é um acúmulo de líquido transitório e fisiológico que ocorre na região cervical dos fetos no início do período fetal. Tem valor estatístico quando medido entre a décima primeira e décima quarta semana. Quando o feto mede entre 45mm e 84mm (leia mais sobre isso aqui).

Todas as mulheres possuem um risco para síndromes cromossômicas que aumenta gradativamente com o passar dos anos, esse risco é chamado risco basal, aquele com o qual você entrará na sala para realizar o exame.

Após a avaliação da Translucência Nucal (existem também outros marcadores que podem ser avaliados – em breve abordado em um novo post sobre marcadores de primeiro trimestre), será calculado um risco corrigido, através de um software próprio para esse cálculo (disponibilizado para médicos filiados à Fetal Medicine Foundation), esse risco será o risco com o qual você sairá da sala de exame.

Esse risco corrigido serve como um divisor de águas entre uma gestação com maior ou menor risco de alterações cromosômicas. Quando o risco é menor, normalmente segue-se um cronograma de pré-natal de baixo risco. Quando o risco é maior, ou seja, quando há um aumento significativo de risco genético, propõe-se um outro tipo de investigação ao casal, pois a TN NÃO diagnostica absolutamente nada!!! Ela é apenas um MARCADOR de RISCO. Uma translucência nucal alterada não está obrigatoriamente relacionada a uma alteração genética, assim como uma TN normal também não as afasta, apenas diminui significativamente suas probabilidades. São testes de rastreamento com um probabilidade de falha real.

Esse exame sempre deverá ser realizado quando o casal está ciente do que ele se propõe a avaliar. Não se deve entrar na sala de exame com o objetivo de ver o “sexo do bebê”, essa deveria ser a última preocupação dos pais nessa fase; não se deve levar muitos acompanhantes, muito menos crianças. Não devemos ser pessimistas, mas devemos nos lembrar que podemos ter noticias difíceis e que nem sempre gostaríamos de recebê-las ao lado dessas pessoas. E, finalmente, procure sempre centros de excelência para a realização dos seus exames, desse em especial, pois, uma vez que é um exame fundamental como divisor de águas entre baixo e alto risco genético, vale a pena realizá-lo com um profissional habilitado.