Como saber se meu DIU está no lugar?

Hello! Como saber se o DIU está no lugar certo? Eita perguntinha que não para de chegar pra gente! Portanto, eu sei que a insegurança de vocês em relação ao DIU é uma questão recorrente, bem como deve ser feita a sua monitorização. Então, vamos descomplicar!

No período que vai desde imediatamente a inserção do DIU até 2 meses depois, vale a pena fazer uma Ultrassonografia Transvaginal (USTV) para ver se o DIU foi bem inserido. As perfurações e expulsões ocorrem geralmente nos primeiros 3 meses da colocação do DIU.

Mas, eu digo “vale a pena”, pois fazer a ecografia não é uma regra, ponto comum, em nenhum protocolo.

No ultrassom, o DIU deve estar dentro da cavidade uterina, acima do Orifício Interno do Colo do Útero. Não importa a distância do fundo da cavidade.

Esquema demonstrando a cavidade uterina e o orifício do colo.

Aliás, não existe nenhum protocolo no mundo todo que mande fazer USTV de rotina em todas as mulheres após a colocação de um DIU (ou para acompanhamento). AHAM!

Se a mulher está sem nenhum sintoma diferente, o exame clínico, feito na consulta mesmo, no qual a ginecologista olha o colo do útero e visualiza o fio do DIU é o suficiente para monitorar se o seu DIU está no lugar certo.

Fio do DIU visualizado no exame clínico especular.

Se o fio não for mais visualizado pode ser até que esteja tudo certo. O médico pode usar a escovinha do preventivo pra ver se o fio apenas não se enrolou pra dentro do colo. Porém, se mesmo assim não encontrar o fio do DIU, ou ainda, se a mulher começar a ter sangramentos, cólicas ou outros sintomas que antes não tinha, ou se o fio estiver mais comprido do que estava antes, o primeiro passo é fazer um exame de gravidez. E depois do resultado, a ecografia.

Isso mesmo! Se estiver tudo bem, fazer USTV em comparação com o acompanhamento apenas por exame clínico (visualizar se o fio do DIU está visível), não demonstrou benefício para mulher e não aumenta a segurança do método. Além disso, onera o Sistema de Saúde, pois gasta-se com um exame desnecessário e ocupa o lugar de mulheres que precisam fazer ecografia.

FONTES: (1) World Health Organization Department of Reproductive Health and Research (WHO/RHR) and Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health/ Center for Communication Programs (CCP), INFO Project. Family Planning: A global handbook for providers (2011 Update). Baltimore and Geneva: CCP and WHO, 2011. (2) 2) ACOG. Committee Opinion No 672: Clinical Challenges of Long-Acting Reversible Contraceptive Methods. Obstet Gynecol. 2016; 128(3):e69-77. (3) de Kroon CD, van Houwelingen JC, Trimbos JB, Jansen FW. The value of transvaginal ultrasound to monitor the position of an intrauterine device after insertion. A technology assessment study. Hum Reprod Oxf Engl. 2003 Nov;18(11):2323–7. (4) Dra. Carolina Sales Vieira – Grupo Contracepção em Foco. (5) Esquema do útero: https://www.wikiwand.com/pt/%C3%9Atero. (6))Foto de Capa: Febrasgo.