Clampeamento tardio do cordão umbilical?

Afinal de contas, o que é o clampeamento tardio do cordão umbilical? Por que ele é tão importante?

Dentro da barriga da mãe, o bebê recebe seus nutrientes (alimento e oxigênio) através do cordão umbilical. O sangue materno chega até a placenta, onde ele é “filtrado” e drenado até o cordão umbilical, alcançando o bebê. Depois que o bebê nasce, o pulmão se expande, enche de ar e começa a funcionar, não sendo mais necessário que o cordão leve oxigênio ao bebê. O problema é que todo esse processo dura alguns segundos, nada é imediato.

Ao esperarmos um pouco pra fazer o clampeamento do cordão, estamos oferecendo ao bebê todo o sangue armazenado no cordão.

Portanto, mais hemácias (glóbulos vermelhos), mais ferro, mais leucócitos, garantindo inúmeros benefícios ao recém-nascido.

Vamos então descomplicar algumas dúvidas sobre o tema:

O que é clampeamento tardio de cordão umbilical?

Clampeamento tardio é aguardar um período de 1 a 3 minutos após o nascimento para clampear (pinçar e cortar) o cordão.

Clampeamento do cordão umbilical.

Aguardamos esse tempo tanto no parto normal quando no parto cesárea?

Sim!!

O bebê pode ficar no colo da mãe aguardando esse tempo?

Pode e deve. No caso do parto normal após o nascimento o bebê é entregue imediatamente aos braços da mãe (apoiado na barriga ou no tórax materno). E só após parar de pulsar – podemos sentir a pulsação do sangue fluindo do cordão para o bebê – é que o clampeamento é realizado. No caso de uma cesariana, primeiro clampeia-se o cordão pra depois ter contato pele a pele materno, nesta caso aguardamos 1 minuto para clampear (até porque a mamãe quer logo ver seu neném, né?)

No caso de uma mãe soropositiva pra HIV, o clampeamento tardio aumenta o risco de transmissão do vírus ao bebê?

Não e não. O sangue presente no cordão é o mesmo sangue que teve contato com o bebê a gestação inteira. Ou seja, não é alguns minutos de contato a mais que aumentarão a chance de transmissão. Lembrando que a gestante soropositiva pra HIV deve ser acompanhada no pré-natal de alto risco e entrar no protocolo medicamentoso específico, de modo a evitar a transmissão vertical (da mãe pro bebê).

E no caso dos bebês prematuros, podemos praticar?

Sim, nos bebês prematuros também.  As diretrizes de reanimação básica do recém-nascido 2012 da OMS recomendam o clampeamento tardio e reforçam os benefícios do aumento das reservas de ferro além de diminuir o risco de hemorragia intraventricular (cerebral) e enterocolite necrosante (doença intestinal característica da prematuridade).

É claro que tudo depende de como o bebê nasce, né? Se o bebê prematuro nasce com dificuldade pra respirar, necessitando de assistência imediata, e caso o pediatra não consiga dar esse atendimento no colo da mãe por alguma inabilidade técnica, o clampeamento imediato é realizado e o Recém-nascido é entregue ao pediatra pra assistência imediata.

Quais os benefícios nutricionais do clampeamento tardio?

Ferro, ferro e ferro. O clampeamento tardio fornece até 75 mg de ferro, ou seja, um suprimento pra 3-4 meses!!!

Existe algum malefício do clampeamento tardio?

Não, nunca! Acho que já consegui te convencer que o clampemento tardio é benéfico em diversos aspectos né? Porém estudos afirmam um risco de 4,36% na icterícia do recém-nato (amarelão), em relação a um risco de 2,74% nos bebês que tiveram clampeamento precoce. Assim, existe um aumento discreto, mas existe. No entanto, Não há risco aumentado de icterícia grave. Ou seja, os inúmeros benefícios do clampeamento tardio superam muito o risco de icterícia leve no neonato.

E aí, descomplicou?

Referências: (1) Chaparro CM et al. 2006. Effect of timing of umbilical cord clamping on iron status in Mexican infants: A randomized controlled trial. Lancet 367: 1977-2004; (2) McDonald S et al. 2013. Effect of timing of umbilical cord clamping of term infants on maternal and neonataloutcomes; (3) WHO, 2012. WHO Recommendations for the Prevention and Treatment of Postpartum Haemorrhage. WHO: Geneva; (4) WHO. 2012. Guidelines on Basic Newborn Resuscitation. WHO: Geneva. (5) WHO. 2012. WHO Recommendations for the Prevention and Treatment of Postpartum Haemorrhage: Evidence Base. Imagem da capa: http://www.folhavitoria.com.br/geral/blogs/entre-maes/2016/07/cordao-umbilical-a-hora-certa-de-cortar/foto Karol Felicio