Descomplicando as fases do Trabalho de Parto

Meninas, vocês sabem que existem fases do Trabalho de Parto? Pois então, aproveitando minha gravidez (inspiração para o tema), vamos conversar um pouquinho sobre isso e descomplicar esse assunto que “amedronta” muitas mamães!

Trabalho de parto, como o próprio nome diz, é um período no qual o organismo materno sofre algumas mudanças para o nascimento do bebê. Costumamos dividir esse processo em algumas fases ou períodos:

Período de dilatação ou Primeiro período:

Pode iniciar por volta das 36/37 semanas de gestação e é caracterizado por contrações leves (endurecimentos da barriga), sensação de pressão lá em baixo, dores nas costas e vontade de
fazer xixi o tempo todo. Você poderá notar uma piora da parte circulatória com inchaço (maior retenção de líquido), aumento de varizes e até hemorróidas (para aquelas gestantes com predisposição).

A medida que as semanas vão passando, as contrações uterinas começam a ficar mais frequentes, chegando a 10 contrações/hora (as famosas contrações de BRAXTON-HICKS) e duração de até 30 segundos. Esse período é o mais demorado do trabalho de parto e sua evolução é variável (12 até 48 horas) com aumento da frequência, duração e intensidade das contrações, além da dilatação do colo do útero, seu afinamento e descida do bebê ao canal de parto. Essa é a fase da preparação…

A fase ATIVA do trabalho de parto ocorre quando há cerca de 3-4 cm de dilatação com o apagamento total do colo do útero. A intensidade da dor aumenta e as contrações tornam-se mais regulares e menos espaçadas no tempo (com mais ou menos 2 a 3 minutos de intervalo entre si). A dilatação do colo aumenta em média 1 cm por hora (nas mamães de primeira viagem) e o bebê “encaixa”. Temos um vídeo muito bacana no nosso canal que demonstra bem como acontece essa primeira etapa
do trabalho de parto ate o nascimento. Dá uma olhadinha aqui 😉

Período expulsivo ou Segundo período (parto propriamente dito):

Ocorre quando há dilatação total do colo do útero (10 cm) e a saída do bebê. As contrações uterinas atingem intensidade e frequência máximas e a mamãe sente muita vontade de fazer força (os famosos puxos). É muito importante que a gestante pratique a respiração correta e mantenha a calma para sincronizar todas as ações do seu corpo com o objetivo de ajudar o nascimento.

Período de dequitação ou Terceiro período:

O período da dequitação começa após a expulsão do bebê até a saída completa da placenta e pode
levar até 30 minutos. As contrações uterinas são leves e menos frequentes. É nesse momento em que será feita uma revisão do canal de parto, e caso haja necessidade serão dados pontinhos pra reparar alguma possível laceração ou tenha sido realizada a episiotomia (falamos sobre episiotomia aqui).

Período de Greenberg (oiii??) ou Quarto período:

É a primeira hora após a saída da placenta. Deve haver uma diminuição do sangramento por meio da contração firme do útero que bloqueia o sangramento do local onde a placenta estava implantada lá dentro do útero.

Enfim, o “grande milagre da vida” se estabelece por completo!

Espero que tenha “descomplicado” pra vocês o trabalho de parto e suas fases. Nos encontramos no
próximo post… até logo!
Beijos

FONTES: (1) Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Área Técnica de Saúde da Mulher. Parto, aborto e puerpério: assistência humanizada à mulher. Brasil (DF), 2001; (2)
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Diretrizes
Nacionais de Assistência ao Parto Normal. Brasília: Ministério da Saúde;  2017 (3) Lowdremilk et al. Saúde da Mulher e Enfermagem Obstétrica. 10ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012 (4) Enkin et al. Guia para atenção efetiva na gravidez e no parto. 3ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,
2005 (5) Organização Mundial da Saúde (OMS). Assistência ao parto normal: um guia prático. Genebra; 1996 (OMS/SRF/MSM/96.24)